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Uma semana em Cusco — meu relato de viagem honesto

Uma semana em Cusco — meu relato de viagem honesto

Dei a Cusco sete noites porque todo mundo na internet me dizia que três bastavam, e eu não acreditei. Depois da semana que tive, fico feliz de ter ignorado a internet. Três dias significariam visitar Machu Picchu com dor de cabeça e um estômago que ainda não tinha decidido se gostava de mim. Aqui está o que de fato aconteceu, dia a dia, com os preços que paguei em abril de 2019 (cerca de S/3,3 por dólar na época).

Dia um: não fazer nada, de propósito

Pousei no aeroporto Alejandro Velasco Astete no meio da manhã, depois do voo curto da LATAM saindo de Lima. A passagem me custou uns US$70 só de ida, comprada com três semanas de antecedência. Um táxi do aeroporto até a região da Plaza de Armas saiu por S/15 depois que passei pelo balcão de aparência oficial dentro do terminal que queria cobrar S/40. Lição número um da viagem: quanto mais perto da porta de chegada você fecha, mais você paga.

Meu hostel perto da Calle Suecia tinha me avisado por e-mail para pegar leve na chegada, e eu te digo o mesmo. Larguei a mochila, bebi a xícara de chá de coca que me deram na recepção e então cometi o erro de subir a escada até o quarto rápido demais. Tive que sentar no patamar por um minuto com o coração batendo como um tambor. Cusco fica a uns 3.400 metros, e o seu corpo genuinamente não liga para o quão em forma você acha que está.

Então o dia um foi uma caminhada lenta pela Plaza de Armas, um almoço demorado e dormir cedo. Eu tinha lido o plano de aclimatação de antemão e segui à risca: nada de álcool, muita água, nada de refeições pesadas. Na hora pareceu um dia desperdiçado. Não foi de jeito nenhum.

Dia dois: San Blas e a subida lenta

Sentindo-me mais corajoso, subi até o bairro de San Blas, que é o quarteirão boêmio agarrado à encosta acima do centro. As ruas aqui são íngremes o bastante para eu ter que parar e fingir admirar a vista várias vezes só para recuperar o fôlego. A pracinha lá em cima tem uma igreja branca e alguns cafés, e me sentei num chamado Café Cappuccino com um flat white por S/12 e observei um homem carregar uma geladeira nas costas pelos paralelepípedos.

Eu recomendaria dar a San Blas uma manhã inteira em vez de correr. As oficinas que vendem madeira entalhada e prata são genuínas aqui, ao contrário de algumas das barracas de bugiganga turística lá embaixo na praça. Comprei um pequeno retábulo entalhado por S/45 depois de uma pechincha simpática que começou em S/80.

Dia três: o city tour que quase pulei

Eu tinha torcido o nariz para tours organizados, mas o city tour de meio dia acabou sendo a coisa mais útil que fiz a semana inteira, principalmente porque o guia explicou a sobreposição inca-sobre-espanhol-sobre-inca da cidade toda de um jeito que eu nunca conseguiria juntar sozinho. Fizemos Qorikancha, Sacsayhuamán, Q’enqo e algumas das ruínas menores acima da cidade.

Reservei o city tour de meio dia com Sacsayhuamán e Q’enqo por pouco menos de US$25, e incluía o transporte até as ruínas, o que importa porque é uma subida íngreme a partir do centro. O único porém é que os ingressos não estão inclusos — você precisa do boleto turístico, ao qual eu volto já já.

Estar dentro de Qorikancha, onde os espanhóis construíram uma igreja diretamente sobre a cantaria perfeita do templo do sol inca, foi o momento em que Cusco fez sentido para mim. O guia apontou onde os painéis de ouro tinham sido arrancados, e os famosos nichos trapezoidais que sobreviveram a três terremotos que as paredes coloniais não sobreviveram.

Dia quatro: o boleto turístico e Sacsayhuamán de novo

Voltei até Sacsayhuamán sozinho para sentar entre as gigantescas paredes em ziguezague sem um grupo. As pedras aqui têm o tamanho de ônibus, encaixadas tão justas que você não consegue passar a lâmina de uma faca entre elas. Havia algumas lhamas pastando para as fotos e, sim, tirei a foto.

Uma palavra sobre os ingressos, porque me confundiu. O boleto turístico é um passe combinado que cobre Sacsayhuamán, Q’enqo, vários sítios do Vale Sagrado e alguns museus. A versão completa custou S/130 (cerca de US$40) e vale dez dias. Há uma versão parcial por S/70 se você só vai fazer os sítios perto da cidade. Eu tinha lido o guia do boleto turístico na noite anterior, o que me salvou de comprar o errado na bilheteria. Você não pode pagar por sítio individual na maioria desses lugares, então fica preso ao passe, queira ou não.

Dia cinco: a logística de Machu Picchu devora um dia inteiro

Não vou reviver meu dia completo em Machu Picchu aqui porque ele merece um texto próprio, mas vou dizer isto: ir e voltar de Cusco num único dia é brutal e eu não faria de novo. Saí às 4h e voltei perto da meia-noite, destruído. Se eu tivesse a semana para planejar de novo, dormiria em Aguas Calientes na noite anterior. O sítio em si, quando a nuvem finalmente abriu por volta das 9h, valeu cada gota da agonia. Estude bem como chegar a Machu Picchu e faça um orçamento adequado — só o trem é a coisa mais cara que a maioria das pessoas faz no Peru.

Dia seis: mercados, comida e a refeição que me surpreendeu

A essa altura o apetite tinha voltado, então o dia seis foi o dia de comer. Comecei no Mercado San Pedro, onde as barracas de suco te batem um copo de fruta que você nunca ouviu falar por S/6. As fileiras dos fundos são onde os locais comem — tomei uma tigela de caldo de gallina, um caldo de galinha claro, por S/8, e era exatamente o que meu corpo castigado pela altitude queria.

No jantar eu tinha reservado num lugar chamado Cicciolina, numa sala de jantar no andar de cima de uma travessa da Calle Triunfo. Não é barato para os padrões de Cusco — gastei uns S/110 num prato principal e uma taça de vinho — mas o prato de alpaca foi a melhor refeição da viagem. Se você quer o lado mais barato, o resumo dos melhores restaurantes de Cusco aponta um monte de bons lugares de preço médio que eu queria ter encontrado mais cedo na semana.

A cilada turística em que caí: um restaurante bem na Plaza de Armas com um homem na porta distribuindo panfletos e um pisco sour «de graça». O pisco sour era aguado, o lomo saltado custou S/55 e era medíocre, e a coisa toda parecia um imposto sobre a preguiça. Ande duas ruas para trás a partir da praça e os preços praticamente caem pela metade.

Dia sete: a aula de culinária que eu recomendaria a qualquer um

No meu último dia inteiro fiz uma aula de culinária peruana que começou com um tour pelo mercado e terminou com a gente comendo o que tínhamos preparado. Aprendemos a fazer um pisco sour de verdade (o truque é a clara de ovo e muita agitação) e um prato estilo ceviche, e o guia nos mostrou o mercado explicando ingredientes que a semana toda eu tinha tido vergonha de perguntar.

A aula de culinária com o tour pelo mercado durou umas quatro horas incluindo toda a comida e dois coquetéis, o que fez valer bem a pena tanto como refeição quanto como atividade. Saí com um cartão de receita que de fato usei em casa, o que é mais do que posso dizer da maioria dos souvenires.

O que eu mudaria

Se fizesse essa semana de novo, eu trocaria a corrida de Machu Picchu no mesmo dia por uma pernoite em Aguas Calientes, e adiantaria a aula de culinária para ter o conhecimento das receitas para o resto da viagem. Eu ainda manteria o dia um completamente vazio. A altitude não é uma sugestão.

O que eu não mudaria é a duração. Uma semana me permitiu ter uma tarde caída em que genuinamente não conseguia me mexer, uma manhã perdida pela chuva e um dia inteiro perdido na logística do trem, e ainda assim sair sentindo que tinha visto Cusco em vez de só riscar da lista. Para quem está decidindo quantos dias em Cusco reservar, meu voto é firmemente por mais, não menos.

Total aproximado da semana, fora as passagens aéreas e o trem de Machu Picchu: cerca de US$420, incluindo um quarto privativo de padrão médio, toda a comida, o boleto, dois tours e a aula de culinária. Cusco pode ser feito por bem menos, e vou escrever sobre isso em outra ocasião — mas, para uma primeira visita, isso pareceu dinheiro bem gasto.