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Cusco com pouco dinheiro — quanto uma semana realmente me custou

Cusco com pouco dinheiro — quanto uma semana realmente me custou

A primeira vez que vim a Cusco, gastei à vontade e não anotei nada. A segunda vez, viajando nas sobras de uma longa viagem pela América do Sul, eu tinha um orçamento diário rígido e guardei os recibos. Este é o registro honesto: quanto uma semana em Cusco me custou quando eu estava genuinamente vigiando cada sol, e onde os cortes são seguros versus onde cortar dói.

A meta

Meu objetivo era menos de US$30 por dia, o que, à cotação de agosto de 2020 de cerca de S/3,5 por dólar, significava uns S/105 diários, tudo incluso menos o dia de Machu Picchu. Fiquei logo abaixo, com uma média de uns US$27. É bem viável, e o guia Cusco com orçamento curto foi minha estrutura de partida — boa parte do que segue sou eu testando os conselhos dele na prática.

Dormir: S/30 a 40 por noite

Fiquei em camas de dormitório a semana toda. Uma cama num hostel limpo e social no centro de Cusco me custou de S/30 a S/40 (US$9 a 11), incluindo café da manhã e a importantíssima garrafa térmica de chá de coca. Escolhi lugares algumas ruas acima da Plaza de Armas — Cusco fica mais tranquila e mais barata quanto mais você sobe para longe da praça, embora suas pernas paguem o preço na altitude.

O único luxo que eu defenderia: paguei S/55 por um quarto privativo na minha primeira noite porque eu tinha acabado de sair de um ônibus longo e sabia que precisava de sono de verdade para encarar a altitude. Chegar exausto a um dormitório barulhento de dez camas a 3.400 metros é uma receita para passar mal. Gaste o extra na primeira noite se você puder de algum jeito.

Comer: S/25 a 35 por dia

É aqui que Cusco recompensa você por sair da praça. O menú del día — um almoço fixo de sopa, prato principal e bebida — é o melhor amigo do viajante econômico. Longe das ruas turísticas, paguei de S/8 a S/12 por um almoço de dois pratos que enchia. No Mercado San Pedro, as fileiras dos fundos, onde os carregadores e feirantes comem, te servem um prato enorme por S/10, e as barracas de suco fazem um copo gigante de fruta fresca por S/6.

O café da manhã estava incluso no hostel. O jantar, quando eu não cozinhava na cozinha do hostel, era geralmente comida de rua — anticuchos (espetinhos de coração de boi grelhado) de um carrinho por S/5, ou uma empanada e uma sopa. Cozinhei talvez três noites, comprando ovos, abacate, pão e frutas no mercado por uns poucos soles.

O que evitei por completo: qualquer restaurante na Plaza de Armas com um chamariz na porta, e os lugares «gourmet» turísticos onde um prato principal custa S/50 ou mais. A comida duas ruas para trás é melhor e um terço do preço. O resumo completo no guia de orçamento bate com o que encontrei — a economia é quase inteiramente sobre localização, não qualidade.

Locomoção: quase de graça

O centro de Cusco é caminhável, o que é sorte porque na altitude você vai andar devagar de qualquer jeito. Peguei táxi talvez três vezes na semana toda, sempre combinando o valor antes — de S/8 a S/15 para qualquer coisa dentro da cidade. Combis (micro-ônibus locais) custam S/1 até os sítios mais distantes, se você conseguir decifrar as rotas pintadas no para-brisa. Andei a pé em quase todo lugar.

Atrações: escolha seus ingressos com cuidado

O boleto turístico é inevitável se você quer as ruínas principais, e até a versão parcial custa S/70. Comprei o passe parcial para os sítios da área da cidade — Sacsayhuamán, Q’enqo, Tambomachay — e subi até eles a pé em vez de pagar por um tour, o que economizou o custo de US$25 do tour. A subida a pé até Sacsayhuamán é íngreme, mas grátis, e dá para se guiar sozinho com facilidade.

Pulei atrações pagas onde a versão grátis era igual de boa. San Blas não custa nada para perambular. A Plaza de Armas e o exterior da maioria das igrejas são grátis. Paguei a entrada pequena da catedral porque eu quis, e não me arrependi.

A grande: Machu Picchu do jeito barato

Eis o item de despesa que quebra a maioria dos orçamentos. O trem para Machu Picchu é caro — facilmente US$130 ou mais na ida e volta no serviço turístico padrão, o que com pouco dinheiro é simplesmente inalcançável. Então fiz pelo caminho alternativo, via Hidroeléctrica.

Essa é a rota lendária dos viajantes econômicos: uma longa viagem de van compartilhada de Cusco até a usina hidrelétrica de Hidroeléctrica (seis a sete horas), depois uma caminhada plana de duas horas ao longo dos trilhos do trem até Aguas Calientes. Você dorme lá, sobe até Machu Picchu ao amanhecer e refaz tudo no dia seguinte. É lento e a estrada da van é de arrepiar em alguns trechos, mas é barato. A mecânica completa está no guia Machu Picchu via Hidroeléctrica, que segui quase ao pé da letra.

Meus custos para a viagem de dois dias por Hidroeléctrica: cerca de S/70 por trecho no transporte compartilhado (US$40 ida e volta), S/35 por um quarto básico em Aguas Calientes, o ingresso de Machu Picchu a S/152 para estrangeiros, e o ônibus subindo as últimas curvas a S/80 ida e volta — que eu pularia na próxima vez e subiria a escadaria de graça se minhas pernas já não estivessem destruídas. Total para a excursão inteira a Machu Picchu: cerca de US$120, contra US$250 ou mais do jeito confortável. A troca é um dia da sua vida num micro-ônibus e uma caminhada ao longo dos trilhos. Vale a pena quando o dinheiro é curto; não vale quando não é.

O registro da semana

Totais aproximados de sete noites, em dólares:

  • Hospedagem (6 noites de dormitório + 1 privativo): cerca de US$75
  • Comida e bebida: cerca de US$60
  • Transporte local e táxis: cerca de US$12
  • Boleto turístico (parcial): cerca de US$20
  • Machu Picchu via Hidroeléctrica (tudo incluso): cerca de US$120

Isso dá uns US$287 pela semana incluindo Machu Picchu, ou cerca de US$41 por dia ao longo de toda a estadia. Tire o custo pontual de Machu Picchu e a taxa diária de vida foi os US$27 que eu mirava.

O que eu cortaria, e o que não

Cortar: o ônibus subindo até Machu Picchu (suba a pé), restaurantes da praça, táxis que dá para substituir por caminhada, e tours pagos da cidade que dá para guiar sozinho. Não cortar: o quarto privativo na noite da chegada, a água, e o primeiro dia lento para aclimatar — passar mal de altitude e perder dias é a coisa mais cara que pode acontecer numa viagem econômica. Aprendi isso do jeito difícil numa visita anterior.

Cusco com pouco dinheiro é genuinamente factível, mesmo com Machu Picchu, se você estiver disposto a trocar conforto e tempo por dinheiro. A cidade não pune a economia — algumas das minhas melhores refeições da semana toda foram as de S/10 no fundo do mercado.