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Diário do trekking de Salkantay: cinco dias até Machu Picchu

Diário do trekking de Salkantay: cinco dias até Machu Picchu

Escolhi o Salkantay em vez da clássica Trilha Inca por dois motivos nada românticos: as permissões estavam esgotadas e era mais barato. O que ganhei foram cinco dias que me surraram, me alimentaram extraordinariamente bem e me entregaram a Machu Picchu a pé por um dos terrenos mais dramáticos que já percorri. Eis como foi, dia a dia, sem maquiagem.

Dia um: o começo suave que não foi

Saímos de Cusco às 4h30 - a largada cedo é uma constante em todo trekking de Cusco - e fomos de carro até Mollepata para o café da manhã, depois até o início da trilha em Soraypampa. O dia um é vendido como aquecimento, e a caminhada é suave, mas o desvio opcional à Lagoa Humantay é uma hora brutal de subida até 4.200 metros que castiga qualquer um que chegou despreparado para a altitude.

Eu estava em Cusco havia uma semana e ainda senti. A lagoa em si - uma piscina glacial turquesa sob uma geleira suspensa - valeu cada passo ofegante. Acampamos naquela noite em domos-céu em Soraypampa, e aprendi minha primeira lição: faz frio. Frio de verdade. Dormi com tudo o que tinha levado e ainda fiquei gelado. O saco de dormir fornecido tinha uma classificação otimista.

Nota de custo: reservei o trekking padrão de cinco dias em grupo em Cusco por cerca de USD 320, tudo incluído - guia, cozinheiro, mulas para as bagagens pesadas, comida, hospedagem e a entrada em Machu Picchu. Isso é mais ou menos a metade do que custa a Trilha Inca, e a comida acabou sendo melhor.

Dia dois: o passo

Este é o dia sobre o qual todos te avisam, e têm razão. Acordamos às 5h com geada nas barracas e começamos a longa subida até o Passo de Salkantay, a 4.630 metros, o ponto mais alto do trekking, sob a face sul da própria montanha Salkantay - uma muralha de gelo de 6.200 metros que se ergue sobre todo o vale.

A subida é implacável. Não é técnica, só para cima, por horas, em ar rarefeito. Minhas pernas estavam bem; meus pulmões não. Fiz a última hora num ritmo que só consigo descrever como geriátrico, parando a cada vinte passos. No passo há um marco de pedras, bandeiras de oração e um vento que te corta ao meio. Nosso guia fez cada um de nós acrescentar uma pedra e dizer algo ao apu, o espírito da montanha. Lá em cima, esvaziado e congelando, não pareceu nem um pouco um ritual turístico.

Aí vem a descida, que é longa e dura para os joelhos, mas te tira do frio das alturas e te leva para o verde. A transição ao longo de uma única tarde - de rocha glaciada à beira da floresta nublada - é uma das coisas mais extraordinárias dessa rota, e a principal razão pela qual eu a recomendaria em vez da Trilha Inca a quem se importa mais com a paisagem do que com a arqueologia.

Dia três: a longa descida verde

O dia mais longo de caminhada, mas o mais fácil de curtir. Descemos firme rumo ao vale de Santa Teresa, o ar engrossando e esquentando, a vegetação explodindo em samambaias, orquídeas e pés de café. À tarde eu estava de camiseta pela primeira vez em dias. Passamos por uma área de cultivo de café onde uma família nos deixou provar a torra deles, e o contraste com o passo congelado de vinte e quatro horas antes pareceu irreal.

Naquela noite acampamos perto de fontes termais, o que depois de três dias de acampamentos gelados foi quase uma experiência religiosa. Alguns soles pela entrada e me sentei numa poça quente no escuro, cada músculo me perdoando aos poucos.

Dia quatro: o dia fácil antes do grande

O dia quatro é o relaxado. Alguns grupos fazem uma tirolesa opcional (eu pulei), depois é uma caminhada pelos trilhos do trem desde a estação hidrelétrica até Aguas Calientes, a cidade abaixo de Machu Picchu. A caminhada nos trilhos é plana, quente e estranhamente meditativa - selva dos dois lados, o rio ao seu lado, o trem ocasional forçando todo mundo a sair dos trilhos.

Aguas Calientes é uma cidadezinha meio maluca que existe inteiramente para canalizar gente a Machu Picchu, com cambistas de restaurante em cada esquina. Depois de quatro noites de barracas, uma cama de verdade e um banho quente pareceram luxo, mesmo num hostel básico. Comemos cedo e fomos dormir cedo, porque a manhã seguinte era a razão de termos vindo.

Dia cinco: Machu Picchu a pé

De pé às 4h de novo - claro - para subir o caminho íngreme de pedra até a cidadela em vez de pagar pelo ônibus. Em retrospecto, o ônibus vale a pena; a subida no escuro com as pernas já destruídas foi um castigo final gratuito. Mas chegar ao portão quando o sol surgiu sobre a crista, depois de quatro dias caminhando para chegar lá, bateu de um jeito completamente diferente do que teria batido descendo de um trem.

Machu Picchu sob a névoa da manhã, com o trekking ainda doendo nas minhas pernas, é uma imagem que vou guardar para sempre. Fizemos o Circuito 2 com nosso guia explicando o sítio, depois subi um pouco mais alto para a vista clássica. O guia completo de Machu Picchu cobre as praticidades do sítio em si bem melhor do que eu consigo num diário.

Se você prefere travar o trekking com um operador verificado antes de chegar, a versão de cinco dias é a padrão:

Trekking de 5 dias de Salkantay a Machu Picchu

E há uma rota um pouco mais curta, de quatro dias, para cronogramas mais apertados:

Rota de Salkantay e Machu Picchu em excursão de 4 dias

Eu faria de novo?

Sim - mas treinaria mais, levaria um forro de saco de dormir mais quente e me aclimataria por ainda mais tempo antes. O Salkantay é difícil, e os acampamentos gelados são reais, mas ele conquista Machu Picchu de um jeito que o trem nunca conseguiria. O guia do trekking de Salkantay tem o resumo prático completo, e o roteiro dia a dia mapeia tudo se você estiver avaliando.

Cinco dias, um passo congelado, uma lagoa perfeita, fontes termais no escuro e uma cidadela na névoa. Mais barato que a Trilha Inca, mais difícil do que eu esperava, e vale tudo.