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Primeira vez no Peru: o que eu queria ter sabido antes de pousar

Primeira vez no Peru: o que eu queria ter sabido antes de pousar

O avião pousa e você não faz ideia de como são os soles

Meu avião tocou o solo no Jorge Chávez às 23h40, o que agora sei ser o horário de chegada mais comum do Peru e o pior momento possível para tomar qualquer decisão. Eu não tinha trocado dinheiro. Não tinha reservado um transfer no aeroporto. Eu tinha um plano vago que envolvia «dar um jeito», que é o tipo de plano que sobrevive exatamente até você sair da alfândega para uma parede de taxistas dizendo o seu nome em placas plastificadas que não são as suas.

O que eu queria que alguém tivesse me contado, em ordem, é isto. A moeda é o sol, escrita S/. Quando fui, um dólar americano comprava cerca de S/3,75, então uma nota de cem soles era uns 27 dólares e parecia dinheiro de verdade. Os caixas eletrônicos no saguão de chegadas (BCP e Interbank são os em que confiei) entregam soles direitinho, mas vários tentaram me cobrar uma taxa de saque de uns S/25 por cima da taxa do meu banco, então saquei S/400 de uma vez em vez de alimentar a máquina duas vezes. Caixas eletrônicos Globalnet estão em todo lugar e são os com as piores taxas — evitei-os depois da primeira mordida.

Naquela primeira noite peguei um táxi oficial do balcão dentro do terminal por S/70 até Miraflores, que é mais que um carro pré-reservado (S/45 a 55), mas menos que os motoristas circulando na saída que me cotaram S/120 sem piscar. A versão honesta desta história é que paguei demais e fiquei bem com isso porque era meia-noite e eu queria uma cama.

A altitude é a coisa que ninguém dramatiza o suficiente

Eu tinha lido a frase «mal de altitude» umas quarenta vezes antes da viagem e arquivado em «acontece com os outros». Então voei de Lima a Cusco, que é do nível do mar a 3.400 metros em 80 minutos, larguei a mala, subi a pé até um café e senti meu coração disparado como se eu tivesse corrido até lá. Eu não tinha.

O erro que cometi foi agendar Cusco primeiro e então Machu Picchu basicamente em seguida. Se fizesse de novo, eu construiria a aclimatação que todo mundo recomenda e quase ninguém de fato faz — há um detalhamento sensato no plano de aclimatação de Cusco que li tarde demais. A versão curta do que funcionou quando parei de ser teimoso: no primeiro dia em Cusco não fiz nada cansativo, bebi o chá de coca que o hostel deixou numa garrafa térmica e peguei leve com o álcool. O pisco sour a 3.400 metros bate diferente, e não de um jeito divertido.

Se o seu roteiro permitir, a jogada genuinamente inteligente é passar os primeiros dias mais embaixo — o Vale Sagrado fica a uns 2.800 metros e é uma aterrissagem mais suave que Cusco em si. Aprendi isso com um casal holandês no café da manhã que parecia irritantemente revigorado enquanto eu cuidava de uma dor de cabeça.

Lima merece mais que uma escala

O maior erro de planejamento da minha viagem inteira foi tratar Lima como um lugar de sobreviver em vez de visitar. Dei a ela um dia apressado na chegada e um na partida, ambos com jet lag. Todo mundo na internet enquadra Lima como uma cidade da qual você escapa a caminho de Cusco e, tendo agora passado tempo de verdade lá numa viagem posterior, esse conselho está errado.

Barranco na golden hour, a caminhada à beira do penhasco pelo malecón de Miraflores, e um prato de ceviche comido às 13h exatamente quando os locais comem — esses foram os momentos que passei correndo da primeira vez. Se você está se perguntando se a cidade merece um dia ou dois, o argumento é feito melhor do que eu consigo fazer em Lima vale a pena. Meu voto: sim, e dê a ela duas noites no mínimo.

Os golpes são leves, mas reais

O Peru não foi um lugar assustador para viajar como estreante. Os golpes em que esbarrei eram do tipo mesquinho e de atrito, em vez de algo perigoso, mas conhecê-los de antemão teria me poupado alguns soles e um pouco de dignidade.

O taxímetro não existe. Os preços são combinados antes de você entrar, ponto final, e eu rapidamente migrei para apps — InDrive e Uber ambos funcionam em Lima e Cusco e removeram a pechincha por completo. O golpe da «nota rasgada» aconteceu comigo uma vez: um vendedor me devolveu uma S/20 rasgada como troco, e notas rasgadas são genuinamente difíceis de gastar, então recusei e ganhei uma limpa. E os mercados — o Mercado San Pedro em Cusco é maravilhoso, mas o primeiro preço é o preço de turista, e um calmo «¿el precio real?» normalmente derrubava um terço.

Para um planejamento de segurança de verdade, em vez das minhas anedotas, o guia de segurança de viagem no Peru é mais atual que a minha memória.

Dinheiro, gorjetas e a pequena matemática do dia a dia

O dinheiro vivo ainda manda fora dos restaurantes bacanas. Mantinha uma reserva de notas pequenas — S/10 e S/20 — porque o cara que me vendia empanadas nunca ia trocar uma S/100. A gorjeta é mais leve que nos EUA: arredondar o táxi, deixar 10% num restaurante de mesa, S/5 a 10 para um guia que fez um bom trabalho. Banheiros em rodoviárias custam S/1 e o atendente raciona o papel higiênico, então eu sempre tinha umas moedas.

Um flat white em Miraflores me custou S/14 (menos de 4 dólares). Um menú del día — sopa, prato principal, bebida — num ponto de almoço de trabalhadores era S/15 a 20 e muitas vezes a melhor comida que eu comia no dia. Uma poltrona de ônibus de longa distância com a Cruz del Sur custou uma fração de um voo, mas comeu um dia inteiro; as trocas estão expostas direito no guia de viagem de ônibus no Peru.

O que eu de fato reservaria com antecedência

Eu normalmente sou anti-planejamento, e o Peru me corrigiu gentilmente. As entradas de Machu Picchu e o trem esgotam, especialmente na estação seca, e chegar esperançoso não é uma estratégia que funciona lá. Também queria ter pré-reservado algumas das coisas que são genuinamente melhores com um guia — um city tour por Lima me deu um contexto do centro que eu nunca teria juntado vagando sozinho.

City tour histórico e moderno por Lima

Fora isso, deixei espaço para ser espontâneo, e esse equilíbrio — âncoras fixas, meio solto — é o que eu recomendaria a qualquer estreante. Para decidir de quantas âncoras você precisa, quantos dias no Peru te orienta sobre o mínimo realista melhor do que eu calculei na hora.

O dia em que tudo se encaixou

Foi o dia seis. Eu tinha parado de lutar contra a altitude, tinha soles em três denominações, sabia comer ceviche no almoço e não no jantar, e estava sentado numa praça em Cusco com um café vendo a luz ficar laranja na catedral. Nada estava acontecendo. Esse era o ponto. Os primeiros cinco dias tinham sido burocracia — entender o país — e dali virou uma viagem.

Se você tira uma coisa deste diário, tire esta: construa a competência chata cedo. Resolva o dinheiro, respeite a altitude, dê a Lima o seu tempo, combine o preço do seu táxi. Faça as coisas sem glamour primeiro e o Peru se abre rápido.

Alguns arrependimentos honestos

Pulei as Linhas de Nazca porque «não tinha tempo», o que na verdade significava que eu não tinha planejado a costa sul de jeito nenhum. Hoje acho que foi um erro. Também arrastei uma mala pesada demais por paralelepípedos demais porque fiz a mala para extremos de clima que nunca encontrei. E bebi água da torneira uma vez num momento de confiança e paguei por isso por um dia e meio — engarrafada ou filtrada apenas, toda vez, sem exceção.

Nada disso arruinou nada. O Peru perdoa os tropeços de um estreante. Mas a viagem que tive foi o primeiro rascunho um pouco desajeitado, e escrever isto é em parte para que a sua primeira vez seja o segundo rascunho mais limpo da minha.

Voos internos, ônibus e o problema da geografia

A coisa que genuinamente me surpreendeu no Peru é o quão grande ele é e como as distâncias comem os seus dias. No mapa, Lima a Cusco parece um pulo. De carro são umas 20 horas pelos Andes; de avião são 80 minutos. Eu tinha ingenuamente imaginado um circuito terrestre tranquilo e rapidamente aprendi que, sem semanas de sobra, você voa as pernas longas e faz de ônibus as curtas e cênicas.

Voos domésticos são baratos se reservados com antecedência e brutais se de última hora — paguei uns 55 dólares de Lima a Cusco reservando três semanas antes, e vi a mesma rota por mais de 200 dólares no balcão. LATAM, Sky e JetSMART todas operam. A pegadinha é que os voos domésticos peruanos são famosos por atrasos e o cancelamento ocasional, então aprendi a não reservar nada apertado nas pontas. O detalhamento completo de quais rotas voar versus dirigir está no guia de voos domésticos no Peru, que eu leria antes de reservar uma única perna interna.

Para os pulos mais curtos — Cusco ao Vale Sagrado, Lima descendo a costa sul — o ônibus ou um transfer compartilhado é tranquilo e muitas vezes mais cênico que o avião. O que eu diria ao meu eu pré-viagem é para mapear o país com honestidade: escolha três ou quatro âncoras, voe entre as distantes, e pare de tentar «ver tudo» em dez dias. O Peru não comprime.

Idioma: mais espanhol do que eu esperava precisar

Eu tinha presumido que o inglês de turista me carregaria e, em Miraflores e no trem, ele em grande parte carregou. Em todo o resto, um pouquinho de espanhol fez uma diferença enorme. Rodoviárias, mercados, taxistas, o menú del día — esses funcionam em espanhol, e o esforço de me atrapalhar com ele foi recebido com paciência e calor toda santa vez. Aprendi os números, as palavras de comida e «¿cuánto cuesta?» no avião, e esse punhado de frases provavelmente me poupou dinheiro e com certeza me rendeu sorrisos. Você não precisa ser fluente. Você precisa estar disposto a tentar, e a apontar para as coisas com bom humor.