Dos Andes à Amazônia — um diário de Tambopata
A coisa que ninguém te conta sobre voar de Cusco até a Amazônia é o quão rápido o mundo muda. Num momento você está olhando para baixo, para montanhas marrons e sem árvores, e no seguinte, depois de um voo de trinta minutos da LATAM, você desce do avião em Puerto Maldonado e o ar te atinge como uma toalha quente e molhada. Passei de precisar de um casaco de lã a suar pela camisa antes mesmo de chegar à esteira de bagagem.
| Onde | Reserva de Tambopata, via Puerto Maldonado |
| Custo | Cerca de US$330 por 3 dias/2 noites, voo à parte |
| Tempo necessário | Mínimo de 3 noites, 4 se puder |
| Como chegar | Voo de ~30min saindo de Cusco, depois barco pelo rio |
| Melhor época | Estação seca (maio–out) para trilhas mais fáceis e menos chuva |
Por que sequer incluí a selva
Quase não incluí. A Amazônia parecia uma viagem à parte, e eu temia que ela diluísse os Andes. Mas eu tinha três dias sobrando depois de Cusco e não parava de ler que a reserva de Tambopata, alcançada a partir de Puerto Maldonado, era um dos trechos mais acessíveis de floresta tropical genuína da América do Sul. O guia da Amazônia a partir de Cusco me convenceu de que dava para fazer como um acréscimo curto em vez de uma expedição separada, então reservei uma estadia de três dias e duas noites num lodge e um voo de uns US$80, e fui.
Uma nota para quem está pesando isso: não tente fazer a Amazônia em dois dias. O primeiro e o último dia são em grande parte viagem, então duas noites é o mínimo realista para de fato estar na floresta por um dia inteiro. Se você puder esticar para quatro dias, faça.
Dia um: o rio e o primeiro jacaré
Puerto Maldonado em si é uma cidade quente e baixa, de motos e cheiro de combustível de dois tempos. O transfer do lodge me pegou no aeroporto, paramos no escritório deles para deixar a maior parte da minha bagagem num armário (você leva só uma bolsa pequena para a selva), e então dirigimos até um porto no rio Tambopata e subimos numa longa canoa motorizada.
O passeio de barco faz parte da experiência e durou cerca de uma hora e meia. Eu tinha feito a mala errada — mangas e calças compridas são o caminho, tanto para o sol quanto para os insetos depois — e queimei os antebraços na primeira hora. Aprenda comigo e leia o que levar para a Amazônia antes de ir; a lista parece exagerada até você estar lá dentro.
Vimos a nossa primeira capivara num barranco de lama em vinte minutos, gorda e indiferente, e um pequeno jacaré tomando sol de boca aberta. O guia desligou o motor e ficamos à deriva. Aquele silêncio, quebrado só pelos pássaros e pelo rio, foi o primeiro momento em que soube que eu tinha feito certo em ir.
Dia dois: o barreiro das araras e muita espera
Esse é o dia para o qual as pessoas reservam a viagem, e quero ser honesto sobre ele. Acordamos às 4h30, embarcamos no escuro e chegamos ao barreiro antes do nascer do sol. Um barreiro, ou collpa, é um paredão de barranco onde papagaios e araras se reúnem para comer a argila rica em minerais, supostamente para ajudar a neutralizar toxinas da dieta.
Aqui está a parte honesta: nem sempre acontece. A vida selvagem não se apresenta no horário. Ficamos sentados num esconderijo por quase duas horas e, nos primeiros noventa minutos, foi um fiapo de pequenos periquitos e muita paciência. Então, de uma vez só, uma onda de araras escarlates e azul-e-amarelas desceu num barulho e numa cor para os quais eu genuinamente não estava pronto. Durou talvez vinte minutos e então elas se foram. Vinte minutos extraordinários por duas horas frias de espera. Eu diria que valeu a pena, mas vá sabendo que é uma aposta, não uma garantia.
O resto do dia dois foi uma caminhada pela floresta com o guia apontando as rodovias das formigas-cortadeiras, uma tarântula num buraco que ele atraiu para fora com um graveto, e castanheiras-do-pará do tamanho de prédios. Remamos num lago de meandro ao entardecer procurando ariranhas e vimos duas, mais uma cigana, que é o pássaro de aparência mais estranha que já encontrei. O guia de Tambopata tem um resumo realista do que você pode e não pode esperar ver, e bateu de perto com a minha experiência.
Sobre a reserva e o que paguei
Reservei meu pacote do lodge por meio de uma operadora em vez de chegar e arranjar tudo em Puerto Maldonado. Há uma faixa real aqui — lodges básicos, de padrão médio e alguns genuinamente chiques, no fundo da reserva, que custam várias vezes mais. O meu era solidamente de padrão médio.
Se você quer uma opção de partida comparável, esta
viagem de três dias e duas noites à selva de Tambopata
é o tipo de pacote que fiz, cobrindo o transfer de barco, o lodge, as refeições e as atividades guiadas. O meu saiu por uns US$330 pelos três dias, incluindo tudo menos o voo e as bebidas. Para uma versão mais longa e profunda, há uma
opção de quatro dias e três noites
que te leva aos melhores barreiros; em retrospecto, eu teria escolhido a noite extra.
Um aviso prático sobre dinheiro: Puerto Maldonado tem caixas eletrônicos, mas eles são pouco confiáveis, e o bar do lodge só aceitava dinheiro vivo para cervejas e água. Leve mais soles de Cusco do que você acha que precisa.
O que me surpreendeu
O calor e a umidade eram implacáveis de um jeito que as fotos não transmitem. Ao meio-dia eu estava encharcado e a lente da minha câmera embaçava toda vez que saíamos do ar-condicionado para o ambiente aberto. Os insetos foram menos problema do que eu temia — roupas compridas e repelente deram conta dos mosquitos, embora os borrachudos perto do rio tenham deixado meus tornozelos coçando por uma semana.
A maior surpresa foi o quão escuras e barulhentas são as noites. O lodge funcionava com energia solar que se desligava por volta das 21h, e a parede de barulho de insetos e sapos depois de escurecer era algo que eu nunca tinha ouvido. Fiquei deitado embaixo do mosquiteiro escutando aquilo, suado e feliz, de um jeito que não esperava de uma viagem que quase pulei.
Eu faria de novo, a partir de Cusco?
Sim, mas com a opção de quatro dias e expectativas mais brandas sobre o barreiro. O contraste entre o ar fino e frio de Cusco, a vizinha montanhosa de Puerto Maldonado, e o verde gotejante da reserva de Tambopata é, por si só, uma das melhores coisas de viajar pelo Peru. Você pode estar fotografando muros incas numa manhã e observando ariranhas caçarem peixes dois dias depois. Só vá sabendo que a selva mantém seu próprio horário, faça a mala para suor e chuva ao mesmo tempo, e dê a ela mais dias do que você acha que precisa.
Saúde e logística que eu organizaria com mais antecedência
A vacina contra febre amarela é geralmente recomendada para a Amazônia peruana, e eu resolveria isso com um médico bem antes da viagem, em vez de correr atrás em Cusco. O risco de malária nessa parte de Tambopata é baixo, mas não zero, então perguntei ao meu médico sobre profilaxia e usei repelente religiosamente de qualquer forma. Também vale planejar: a grade de voos entre Cusco e Puerto Maldonado é limitada, muitas vezes uma única rotação diária, então reserve com antecedência e não tente encaixar a Amazônia numa viagem com data de partida apertada — um voo atrasado ou cancelado tem efeito em cascata sobre tudo depois.
Em termos financeiros, leve mais dinheiro em espécie do que imagina. Praticamente não há onde sacar mais uma vez que você está no lodge, e mesmo em Puerto Maldonado os caixas eletrônicos são pouco confiáveis. Eu orçaria mais US$50–60 em dinheiro além do preço do pacote para bebidas, gorjetas para o guia e o piloto do barco, e algum lanche extra no bar do lodge.
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