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Diário do pôr do sol em Huacachina: buggy nas dunas, areia em tudo, sem arrependimentos

Diário do pôr do sol em Huacachina: buggy nas dunas, areia em tudo, sem arrependimentos

Um oásis que parece falso até você estar dentro dele

Eu não acreditei que Huacachina fosse real até subir a borda da primeira duna e olhar para baixo: uma pequena lagoa verde cercada de palmeiras e um punhado de hotéis, plantada no meio de nada além de areia por quilômetros em todas as direções. Parece um cenário de filme ou uma miragem. É um lugar de verdade, a uns cinco minutos de táxi da cidade de Ica, e existe quase só para mandar turistas para as dunas e alimentá-los depois.

Este é o diário de uma tarde por lá: chegada às 15h, dunas às 16h, pôr do sol por volta das 17h45 e o longo banho depois tentando tirar areia de lugares onde areia não deveria chegar.

O buggy não é um passeio tranquilo

Eu tinha imaginado o buggy das dunas como um trote lento e cênico. Não é. É uma estrutura de metal com santantônio, um motor enlouquecido e um motorista que já fez esse percurso mil vezes e está entediado, então ele pega as descidas íngremes com tudo. No instante em que cruzamos a primeira duna grande e a frente despencou no que parecia uma parede vertical de areia, eu soltei um som do qual não me orgulho. A mulher ao meu lado agarrou meu braço. Éramos estranhos. Não éramos mais estranhos no fim.

Os buggies sobem e descem as dunas por quinze, vinte minutos, parando nos topos mais altos para fotos e para nos passar as pranchas de sandboard. É uma montanha-russa sem trilho e com muita confiança no motorista e no cinto. Eu amei e também temi genuinamente pelo meu baço em dois momentos. Se você quer um relato sensato do que envolve o passeio e de como escolher uma operadora que não seja imprudente, o guia do buggy das dunas de Huacachina é mais comedido que a minha versão de mãos suadas.

Sandboard, no qual sou ruim de sandboard

Na primeira duna grande eles nos entregaram pranchas — basicamente snowboards velhos, encerados com uma vela que o motorista guardava no bolso — e a escolha: ficar de pé como no snowboard ou deitar de bruços e descer a ladeira. Tentei de pé. Caí na hora e escorreguei quase tudo de lado, colecionando areia. Na segunda duna deitei de cabeça para baixo como todo mundo com juízo, e isso foi genuinamente empolgante: rápido, liso, uma cara cheia de duna no fim e uma longa subida a pé de volta, porque não há teleféricos no deserto.

Uma dica que ninguém me deu: mantenha a boca fechada na descida. Eu não mantive. Provei a costa sul do Peru pelo resto da noite.

O custo, sendo honesto

Reservei o combo padrão de buggy e sandboard ao pôr do sol na própria manhã, num quiosque ao lado da lagoa, por S/70 (menos de 20 dólares), e o preço era mais ou menos o mesmo em todo lugar que perguntei — as operadoras rodam nas mesmas dunas nos mesmos horários, então não competem muito no preço. O que varia é a condição do buggy e o motorista, que é a parte que vale a pena considerar.

Se eu fosse fazer de novo, reservaria especificamente o horário do pôr do sol e com uma pequena antecedência na alta temporada, porque as saídas do fim da tarde lotam — todo mundo quer a luz dourada, com razão.

Tour de sandboard e buggy nas dunas de Huacachina ao pôr do sol

O panorama completo da cidade — onde ficar, comer e como tudo se encaixa num roteiro pela costa sul — está no guia de Huacachina se você quiser planejar em torno das dunas em vez de simplesmente cair nelas.

O pôr do sol, que é o ponto de tudo

Paramos numa duna alta enquanto a luz ia embora, motor desligado, só o vento, e o deserto passou de bege a dourado e a um rosa-laranja profundo que ainda não consegui fotografar de um jeito que lhe faça justiça. As dunas projetam longas sombras azuis. As serras distantes ficam roxas. Uma dúzia de outros buggies estava estacionada nos topos próximos, todos quietos pela primeira vez, todos nós olhando para a mesma coisa.

Foi aí que entendi por que você faz a saída do pôr do sol e não a do meio-dia. As dunas são extraordinárias a qualquer hora, mas no entardecer viram outra coisa — macias, enormes e iluminadas de lado, de forma que cada ondulação da areia aparece. Durou talvez quinze minutos e valeu a tarde inteira.

De volta ao oásis depois do escuro

Descemos de volta a Huacachina no escuro, faróis saltando sobre as dunas, e saí do buggy com areia no cabelo, nas orelhas, nos sapatos e, de algum modo, no bolso de trás. Comi um prato de lomo saltado numa mesa ao lado da lagoa por S/30, tomei uma Cusqueña gelada e observei as palmeiras refletidas na água enquanto a adrenalina do dia ia passando.

A uma curta caminhada dali, Ica é terra de vinho e pisco, e muita gente combina as dunas com uma visita a vinhedo na manhã seguinte — o contraste entre a adrenalina das dunas e uma degustação tranquila funciona bem, e há tours de bodegas que fazem um contraponto relaxado ao buggy.

Eu mandaria um amigo?

Sem hesitar, com três ressalvas. Uma: é turístico, sem disfarces — Huacachina não é uma joia escondida, é uma máquina bem azeitada, e tudo bem desde que você entre sabendo disso. Duas: se você tem dor nas costas ou enjoa em movimento, o buggy é genuinamente brusco, não uma opção suave. Três: reserve o pôr do sol, aceite a areia, mantenha a boca fechada nas descidas.

A manhã seguinte: terra do vinho, no ritmo bem lento

Eu havia planejado as dunas como um programa de fim de tarde e quase fui embora na manhã seguinte, o que teria sido um erro, porque Ica é uma das duas grandes regiões de vinho e pisco do Peru e as bodegas ficam a quinze minutos de carro do oásis. O contraste é o atrativo: adrenalina nas dunas ao entardecer e depois uma manhã lenta degustando pisco num pátio silencioso cercado de parreiras.

Visitei uma bodega em atividade onde ainda fazem pisco do jeito tradicional — destilado do mosto de uva em alambiques de cobre, sem envelhecimento em barril, mantendo o destilado claro e aromático. O tour custou cerca de S/30 e terminou, inevitavelmente, numa rodada de degustação de piscos e dos vinhos doces fortificados que fazem ao lado. Às 11h. Na manhã seguinte às dunas. Não sei se foi sábio, mas foi muito agradável. A história mais ampla dos vinhedos da região e de como o pisco é de fato feito está no guia dos vinhedos de Ica e do pisco.

Coisas práticas que eu passaria a um amigo

Leve óculos de sol que você não se importe de jatear com areia, um buff ou cachecol para o rosto no buggy e sapatos que você consiga esvaziar — sandálias se enchem na hora. Deixe a câmera boa na bolsa e use um celular que você não tema arriscar, porque a areia fina entra em tudo que é mecânico. Dinheiro: leve a taxa do buggy mais um pouco para gorjeta da cera das pranchas e uma bebida depois, em notas pequenas. E tome banho no hotel antes de seguir viagem, porque areia num assento de ônibus por cinco horas é uma penitência à parte.

Mais uma coisa honesta sobre a cidade em si: Huacachina é minúscula e existe para turistas, então uma pernoite basta e sobra. Fique uma noite, faça as dunas no pôr do sol, faça as bodegas de manhã e siga em frente. Quem planeja duas ou três noites aqui costuma ficar sem oásis lá pelo almoço do segundo dia.

O veredito honesto

Foi meio dia, custou menos que um jantar bacana e me deu um pôr do sol no qual ainda penso e uma amizade de agarrar braço que durou exatamente um passeio de buggy. Sem arrependimentos. Muita areia. Valeu a pena.